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Luce Irigaray: mais além de Freud e Lacan.

  • Writer: Maria Eduarda Domingues
    Maria Eduarda Domingues
  • Apr 7
  • 2 min read

Há mais de 2 anos eu participo de um cartel (um formato de  grupo de estudo proposto por Lacan) que estuda sobre o feminino em Freud e Lacan, além de contemplar autoras como Colette Soler e Maria Rita Kehl. 


Essa coisa de estudar é engraçada, porque a tendência é quanto mais aprofundamento em algum tema, mais são os encontros com novas curiosidades e não saberes. A partir disso, fui atrás de outras mulheres que propuseram teorias acerca do feminino e da mulher em diálogo com a psicanálise. Queria encontrar alguém que, para além de comentar a perspectiva freudiana e lacaniana, trouxesse novos termos para falar do feminino na psicanálise. 


Aleatoriamente, uma amiga me mandou um carrossel de alguém que citava Luce Irigaray, e na hora pensei: hmmmm, era ela que eu queria encontrar. Psicanalista, filósofa, linguista e teórica feminista, Luce Irigaray foi exonerada do seu cargo na escola de psicanálise fundada por Lacan, na França, depois de publicar a tese do seu segundo doutorado, na qual questiona o lugar da mulher nas teorias de Freud e Lacan, denunciando o apagamento de atributos e caracterícas que têm a mulher como centro de referência em primazia da lógica fálica e masculina.


Irigaray alega que Freud e Lacan descrevem a feminilidade a partir de um referencial simbólico masculino, ou seja, a identidade feminina proposta pelos referidos autores estaria sempre reduzida ao sujeito homem. O que Irigaray sugere, então, é que se criem novos referenciais simbólicos, que sejam construídas sintaxes femininas para que novos símbolos possam ser atribuídos às mulheres para além dos construídos e referenciados aos homens e ao falo. 


Luce Irigaray foi exonerada do seu cargo pelos seus colegas psicanalistas, majoritariamente homens, por alegaram que o que ela defendia em sua tese não era psicanálise, e que, portanto, ela não mais poderia exercer seu ofício enquanto psicanalista.


Irigaray, em sua ética profissional, subverteu o discurso da sua bolha, tensionou a teoria de Freud e Lacan, gerou incômodos e, ainda, propôs algo novo e autoral no campo do feminino, campo este tão enigmático para alguns analistas - geralmente homens.  Tem coisa mais psicanalítica que isso?



 
 
 

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