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Notas sobre psicanálise e teatro.

  • Writer: Maria Eduarda Domingues
    Maria Eduarda Domingues
  • Jul 16
  • 1 min read


Há quase um ano eu entrei em um curso livre de teatro. 

1 hora e meia por semana - um tanto a mais que uma sessão de análise. 

Desde então, corriqueiramente, e meio sem querer, me pego pensando nas semelhanças do teatro e de um percurso de análise. 

Evidentemente que há diferenças estruturais entre uma prática e outra, mas alguns efeitos são, pra mim, curiosamente parecidos. 


Tem algo, no teatro e na análise, de uma entrega sublime, 

E de uma transformação inevitável. 


Freud falava da análise como um lugar, quase como um palco, que dá espaço para a recordação, repetição e elaboração de cenas da vida do analisante. Lacan, retomando Freud, reforça a ideia de que o inconsciente se apresenta como uma cena, por meio das encenações de sintomas, atos falhos, sonhos… 


Tem sido comum, depois de algumas das minhas aulas de teatro, eu sair com pontas soltas que me dão vontade de amarrar na minha análise (ou tentar).

O improviso, o desprendimento da minha própria história para me apropriar das histórias das personagens, o atuar… é interessante o movimento que isso causa.


Em uma análise, há algo como um aprendizado incessante de como improvisar no palco da  vida; aprender forma autorais de se virar com aquilo que foge do ideal e de fazer deslocamentos no discurso e, consequentemente, na própria história, que, inevitavelmente, transformam o “atuar” no mundo.


 
 
 

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